Todo artista é apaixonado pelas artes, mas Fernando Botero foi além disso e tornou-se um colecionador. Num período de quatro décadas, o ‘pintor e escultor de gordinhos’, como ficou conhecido esse artista colombiano, reuniu um acervo composto por obras de importantes autores internacionais e depois doou 85 delas, junto com 123 de sua própria autoria, ao governo colombiano. Essas 208 obras compõem hoje a exposição permanente do Museu Botero, instalado em La Candelária, o centro histórico de Bogotá.
O museu ocupa um casarão em estilo colonial, com pátio interno e arcadas, que tanto pela arquitetura como pela história que carrega acabou se tornando também uma atrações para os visitantes – depois, é claro, da coleção internacional e das obras do próprio Botero.
O acervo do Museu Botero
A coleção internacional abrange desde a segunda metade do século 19 até o período contemporâneo. É tida por especialistas como um dos mais importantes acervos públicos de arte internacional da América Latina e consegue dar uma ideia da evolução da pintura e da escultura nesse período.
A obra mais antiga é ‘Cigana com tamborim’, do francês Jean-Baptiste-Camille Corot, anterior a 1862, e a mais recente é um óleo do espanhol Miquel Barceló, de 1998. Entre um e outro estão obras como ‘Geldersekade de Amsterdã no inverno’, de Claude Monet (1871-18740), dois óleos de Pierre-Auguste Renoir, ‘Mulher bebendo absinto em Grenelle’, de Toulouse-Lautrec, para citar apenas algumas.
Mas apesar de toda essa variedade, o principal museu de Bogotá tem a cara de seu mentor. Logo na entrada, nos deparamos com uma enorme mão esquerda – típica das imagens ‘rechonchudas’ que deram ao artista a fama de pintor e ‘escultor de gordinhos’. Essa escultura faz par com outra de igual forma, tamanho e material, localizada no Passeo de la Castellana, em Madri. Do lado de dentro, chama a atenção a tela “Mona Lisa” – uma espécie de ‘versão roliça’ da famosa pintura de Leonardo da Vinci, que talvez seja seu trabalho mais famoso.
Entre as 123 obras de Botero que compõem o acervo do Museu Botero, estão esculturas de bronze e mármore, além de pinturas e desenhos de técnicas variadas, como pastéis e sanguíneas. Tudo produzido nas últimas décadas do século 20. É a segunda maior coleção de obras do artista, perdendo apenas para o Museu de Antióquia, em Medlin, sua terra natal.
Um casarão com muita História
Enquanto apreciamos as obras, vamos admirando, também, a beleza do casarão. Embora tenha sido erguido em 1955, trata-se de uma réplica do Palácio Arcebispal que o antecedeu no mesmo terreno e foi destruído durante a onda de protestos ocorridos no final da década de 1940 contra o assassinato de um candidato do Partido Liberal à Presidência da República. O prédio original era do início do século 18, quando foi adquirido, ainda inacabado, pela Arquidiocese, e adaptado para uso residencial dos arcebispos.
A reconstrução foi feita pelo Banco da República da Colômbia, instituição que criou e mantém o Museu Botero, mas, naquele época o museu ainda não existia nem em projeto. O banco adquiriu o terreno onde estava o edifício destruído e realizou a obra a partir de fotografias aéreas e da documentação iconográfica das fachadas. Entre sua conclusão, em 1955, e a inauguração do museu, em 2.000, o prédio foi ocupado pela Corte Suprema de Justiça; pela Biblioteca Luis Ángel Arango, que o utilizou como sede da Hemeroteca Luis López de Mesa, e pelo próprio banco para abrigar parte de sua enorme coleção de arte.
O artista colecionador
Quando o casarão recebeu o Museu Botero, em 2.000, o artista colombiano já havia percorrido uma longa estrada não apenas como pintor e escultor, mas também como colecionador. Aos 15 anos, já vendia seus desenhos e um ano depois começou a trabalhar como ilustrador no jornal El Colombiano. Aos 19, fez sua primeira exposição. Desde cedo, andou pelo mundo em busca de formação. Estudou em Madri, Florença e cidade do México. Recebeu influência dos renascentistas e de Diego Rivera.
Com o tempo essas marcas foram desaparecendo e dando lugar ao estilo próprio – com os famosos personagens volumosos – que é chamado por alguns de ‘boteriano’. As primeiras obras com volume são do início da década de 1960. Dez anos depois, Botero fez sua primeira escultura e hoje há um grande numero delas em praças públicas do mundo inteiro.
Além de retratar pessoas, animais e objetos ‘gorduchinhos’, Botero se dedicou a fazer releituras de obras famosas. As mais festejadas são a ‘Mona Lisa’, de 1963, já citada anteriormente, e ‘O Casal Arnolfini’, de 1978. Parte de sua obra é voltada para o registro histórico da violência no mundo e isso fez com que fosse considerado um artista engajado. Em resposta a essas interpretações, ele sempre afirmou que sua obra visa primeiramente a forma, sem qualquer pretensão simbólica, e mesmo quando registra fatos históricos aos quais se opõe, pretende apenas guardar uma memória dos acontecimentos pois não acredita que a arte possa mudar a politica.
Entre as obras mais conhecidas de Botero sobre a violência estão duas telas que retratam a morte do narcotraficante Pablo Escobar: “A morte de Pablo Escobar” e “Pablo Escobar morto”. As pinturas foram feitas em diferentes momentos e incluídas, respectivamente, em uma série sobre a violência na Colômbia e em outra sobre a violência no mundo.
Talvez mais expresse a indignação de Botero com a violência de nosso tempo sejam as 79 telas que retratam a tortura praticada por soldados norte-americanos contra prisioneiros da prisão de Abu Gharib, no Iraque. Ao apresentar a série no museu da American University, em Washington, ele disse que pintou aquelas cenas para liberar a raiva que sentiu ao tomar conhecimento das torturas.
Os que admiram seu estilo, vão se deliciar com o museu. Aos que não se identificam com essa obra tão particular, resta uma coleção internacional pra ninguém botar defeito.12
O Museu Botero foi um dos museus que mais quis conhecer em Bogotá. Acho Botero um artista sensacional e poder ver de perto algumas de suas obras foi muito emocionante. Conhecer um pouco mais do legado e da história do museu com seu texto, foi gratificante.
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Um artista maravilhoso, sensível e, realmente, original. Belo registro, Sylvinha”
Valeu, Soninha. Bom te ver por aqui.
Sempre é interessante e produtivo , texto sobre arte , Silvinha, parabéns, Botero é um ícone não só na América Latina. ⭐️
Obrigada, Aninha. Bom te encontrar por aqui.
Beleza de texto! Sempre bom le-los!
Valeu, Hil. Bj
Como sempre, seu texto é um deleite, Sylvinha!
Muita vontade de conhecer a Colômbia, o Equador e o Peru.
Bjs,
Val Cantanhede
Que bom que você gosta, Val. Volte sempre. E faça as viagens que deseja!
Adoro as obras do Botero! Ótima reportagem, Sylvia! Parabéns!
Obrigada, Bénie. Volte sempre!
O Museu Botero foi um dos museus que mais quis conhecer em Bogotá. Acho Botero um artista sensacional e poder ver de perto algumas de suas obras foi muito emocionante. Conhecer um pouco mais do legado e da história do museu com seu texto, foi gratificante.
Que bom, Leo. Também gostei muito de conhecer esse museu. Palas bras dele, pelo acervo internacional e pelo prédio.
Que bacana saber dessa ótima opção de passeio e cultura. Desconhecia o museu Botero e achei fantástica as suas obras. Ótima atração na Colômbia!
Syvia, que bacana conhecer o Museu Botero! Um verdadeiro legado deixado pelo artista
Eu tenho muita vontade de conhecer o Museu Botero. Seu post está inspirador!
Obrigada, ângela! Que bom que gostou!