Não é só por possuírem uma parte baixa e uma parte alta que Savador e Lisboa são consideradas irmãs. O maior ícone dos soteropolitanos – o Elevador Lacerda – tem um ‘quase gêmeo’ que desempenha um papel semelhante para os lisboetas: o elevador de Santa Justa. Ambos são centenários e foram cirados para como meio de transporte popular. O que difere um do outro, além dos respectivos projetos arquitetônicos, é a maneira como são utilizados atualmente. Enquanto o Lacerda serve principalmente aos moradores da cidade, o Santa Justa é procurado principalmente por turistas.
As razões dessa diferença são inúmeras. Uma das mais significativas diz respeito ao preço. Enquanto no elevador brasileiro, nativos e turistas pagam um valor simbólico de centavos pela viagem, no português, o bilhete pode custar algo entre € 1,50 (mais de 7 reais), apenas para conhecer o mirador, e € 5,90 ( cerca de 30 reais) para andar no elevador, o que inviabiliza o seu uso como transporte popular1. Outro fator é o tempo que se leva para subir ou descer em um e outro. Embora passem por ali cerca de 25 mil pessoas por dia, o Lacerda não tem filas, porque é capaz de conduzir até 128 passageiros em suas quatro cabines e faz o percurso em menos de 30 segundos. Já no Santa Justa tem apenas duas cabines que comortam apenas 20 pessoas na subida e 15 na descida, o que provoca enormes filas e uma espera de pelo menos uma hora. O de Salvador funciona sem interrupções, enquanto o de Lisboa tem horários para abrir e fechar que variam de acordo com a estação do ano.
Um pouco de história
O que surpreende a muitos é o fato de o elevador da colônia ser mais antigo que o do colonizador. O primeiro foi inaugurado em 1873 e o segundo em 1902. O primeiro tem estilo Art Déco, resultante de uma reforma ocorrida em 1930. O segundo mantém o estilo original, de inspiração Neogótica, e é feito em ferro fundido, decorado com filigrana rendilhada.
O Elevador de Santa Justa começou a ser planejado cerca de dez anos antes de sua inauguração, mas a Câmara Municipal só aprovou o projeto em 1900. A ideia de construir um meio de transporte vertical que ligasse a rua do Ouro e a Rua do Carmo, na Baixa Pombalina, ao Largo do Carmo, no Barrio Alto, surgiu em função da dificuldade que se tinha, na época, tanto de transitar como de transportar mercadorias ao longo das ladeiras. Por estar ligado a à rua e ao Lago do Carmo, acabou chamado popularmente de Elevador do Carmo.
O projeto do elevador é de autoria do engenheiro português de origem francesa Raoul Mesnier du Ponsard. Talvez por sua ascendência e/ou pelo fato do elevador português ter uma estrutura de ferro fundido – mesmo material da Torre Eiffel – há quem diga que o engenheiro francês Gustave Eiffel particpou do projeto do Santa Justa ou que Ponsard era seu discípulo.
Apesar dessa informação ser bastante difundida, nunca se encontrou qualquer registro que comprove a ligação de Ponsard com Eiffel, ou com os arquitetos Maurice Koechlin e Émile Nouguier, que fizeram o projeto da torre a seu pedido. Mas o provável boato acaba dando um certo colorido à história do elevador.
Outra curiosidade diz respeito ao seu funcionamento. Nos primeiros cinco anos, o Santa Justa era movido por um motor a vapor – localizado num dos pisos supriores – que ocupava muito espaço e gerava muita poluição. Somente cinco anos depois, em 1907, é que passou a operar com energia elétrica. Ao completar 100 anos, em 2002, o Elevador de Santa Justa foi tombado como Patrimônio Cultural de Portugal.
A visita ao Santa Justa
Voltando a comparar o Lacerda com o Santa Justa, vemos que o elevador baiano é mais admirado por fora, entre outras razões porque o seu interior é apenas funcional. As cabines não têm beleza, não são panorâmicas e na parte interna do prédio não há qualquer atrativo turístico a não ser a experiência de andar em um meio de transporte popular e centenário, o que acaba atraindo apenas os que se encantam com questões culturais e históricas. Além disso, há atrativos de sobra no entorno, entre os quais a vista da Bahia de Todos os Santos. Já no lisboeta, é praticamente indispensável a entrada, nem que seja apenas para visitar o mirador e admirar uma das melhores vistas de Lisboa, que inclui o lendário Castelo de São Jorge.
Mas subir, ou descer, pelo elevador é a experiência mais gratificante do Santa Justa, pois através das vidraças de suas antigas cabines de madeira, é possível admirar de perto, ainda que em movimento, fragmentos da charmosa estrutura de ferro fundido com seus arcos neogóticos.
Na parte alta, um novo espetáculo. Filigraans rendilhadas decoram os degraus de uma escada em forma de caracol que leva aos patamares superiores e reaparece lá em cima nas grades que contornam o mirante. As filigranas podem ser admiradas, também, nas laterais da passarela de saída – e de entrada – que liga o elevador ao Largo do Carmo.
Para quem sobe, o passeio pode ter um ‘grand finale’ nas ruínas da Igreja do Carmo onde funciona, desde 1864, o famoso Museu Arqueológico do Carmo. Mas isso é assunto para outra matéria que ainda virá. 1
Com certeza, Soninha. Pra ver essa e outras maravilhas, né? porque Lisboa é encantadora.
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Excelente comparação. Estou sempre viajando contigo.
Obrigado querida.
Eu que agradeço pela leitura e pelo comentário. Beijo também.
Que elevador lindo! Vale a pena ir até lá só para ver essa maravilha de perto!
Com certeza, Soninha. Pra ver essa e outras maravilhas, né? porque Lisboa é encantadora.